Eu chorei após o jogo do Brasil

Não foi de emoção pelo time de futebol nem de raiva das tais vuvuzelas… Foi um misto de decepção, raiva e incompreensão.

Tive um dia ótimo, passeando e respirando ar puro na trilha da Pedra Grande que fica na zona norte de São Paulo, no horto florestal. Entre as árvores, a humidade e o perfume da vegetação, revigoravam meu corpo a cada passo, até chegarmos ao lago das carpas e posteriormente na borda da grande pedra de onde pudemos contemplar a já deteriorada paisagem dos prédios, que a cada dia fica mais perto da mata, como um exército sem rosto feito de cimento que avança sorrateiramente.

Na volta para casa, pude perceber como as pessoas se envolvem com a Copa, a pressa dos carros, as televisões ligadas em cada bar, a movimentação geral dos torcedores e um sentimento nacionalista, que acontece a cada quatro anos, com diferentes intensidades dependendo do nível de felicidade do povo.

Durante o segundo tempo, resolvi cuidar da minha causa, que para quem ainda não conhece, trata-se da tentativa de transformar uma das últimas áreas verdes da região onde moro (Água Rasa – Moóca), em um parque,  ao contrário do projeto da construtora que comprou o terreno e pretende derrubar boa parte das árvores para a construção de quatro torres de apartamentos.

Fui de casa em casa, deixando pequenos bilhetes com o endereço do site onde eu estou reunindo informações a respeito desse projeto e fui até o terreno aproveitar a distração provocada pelo jogo, para fotografar as árvores, enquanto ainda estão em pé.

Nesse breve momento, entre gritos de gols e buzinas, fotografando cada parte do terreno, uma tristeza tomou conta de mim, ao ver o desperdício e o crime que estão cometendo para as crianças e adultos que a cada dia sofrem mais com problemas respiratórios e doenças decorrentes do stress.

Enquanto eu fotografava, um garotinho com a cara toda pintada atrás dos portões de uma casa olhava desconfiado e eu perguntei pra ele, o que ele achava da idéia do parque.

Talvez eu nunca esqueça a expressão de alegria que ele fez. E olhando para a irmã menor, gritou que adoraria!

Essa mesma expressão eu vi no rosto de cada morador que pude levar a idéia. Todos, de forma unânime, gostaram da possibilidade ter um parque perto de casa. Um pouco da alegria daquele garotinho, aparecia em cada um dos rostos, desde os mais novos até as senhorinhas que já comentavam como seria bom poder ter um espaço verde pertinho para poder caminhar todos os dias.

Continuei fotografando e registrando tudo o que podia e constatei que existem árvores secando, boa parte do terreno já foi devastada e que nessa região ocorrem enchentes, já que algumas casas possuem comportas na entrada, típicas desses locais problemáticos.

Pude reparar também que para fora desse terreno, nas ruas adjacentes, existem pouquíssimas árvores. Numa grande calçada de um edifício recém construído, que faz divisa com o local, não existe nenhuma.

Voltei para casa e lembrei da expressão do garotinho e pensei também na cara de decepção dele, quando eu falei que as árvores poderiam ser derrubadas para a construção dos prédios, caso ninguém nos ajudasse.

E comecei a chorar, talvez prevendo como aquele garotinho agiria vendo a construção tomando conta das árvores, num futuro muito próximo e o sonho dele escoando bueiro transbordando abaixo…

Se você leu até aqui, já fico menos triste, mas preciso muito da sua ajuda. Preciso que esta idéia se espalhe o mais rápido possível, preciso que você assine o abaixo-assinado na internet e preciso que você entre em contato com pessoas influentes, empresas, políticos e divulguem esta idéia através desse site. Envie para seus contatos de email e se possível publique em seus blogs, comunidades e revistas.

Agradeço o seu tempo e sua ajuda.

Obrigado.
Fernando Salvio, garotinho de cara pintada e todos os moradores da região.
São Paulo, 21 de junho de 2010.

Site: https://vivaoparque.wordpress.com/
Abaixo-assinado: http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/assinar/6370

PS.: Todos esses fatos relatados podem ser vistos em formato de vídeo e fotos no site.

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As plantas do projeto da construtora

Veja a imagem aérea, veja o desenho do projeto da construtora e tire suas próprias conclusões.

Visão aérea:

Planta 1:

Planta 2:

Espero que tenha ficado claro o quanto vai destruir.

A área foi comprada por uma construtora. Antes e desde sempre era uma chácara. Talvez a última da região.

Ao deixar essa área sucumbir eu vejo que a história do bairro está sendo apagada, junto com o pouco de humanidade que existia na Vila.

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A luta dos moradores para salvar as escassas áreas verdes de São Paulo