Trabalho acadêmico destaca a importância das áreas verdes e a desigualdade no índice de verde na cidade de São Paulo

Acessamos esse trabalho que mostra o quanto é necessário o Parque Vila Ema e outras áreas verdes na cidade de São Paulo.

Em outros posts já destacamos a importância do verde para a população e para o próprio equilíbrio do planeta.
Veja:
A importância do Parque Vila Ema
Importância das Áreas Verdes no Ambiente Urbano
Mais benefícios das áreas verdes
Mapa da temperatura da cidade

Neste trabalho: SUSTENTABILIDADE URBANA E INDICADORES DE ÁREA VERDE NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO



É feita uma análise da cobertura vegetal e a desigualdade dessa pela cidade. Destaca-se que a cidade possui grandes extensões de verde (Cantareira, Parelheiros) e estas entram na conta quando se calcula a quantidade de verde por habitante. Esse dado é questionável já que essas áreas estão concentradas em poucos locais.

Resumo
O presente estudo avalia o papel dos índices de áreas verdes e sua contribuição para a sustentabilidade urbana e redução da desigualdade ambiental, tendo como estudo de caso o município de São Paulo que possui uso e ocupação do solo heterogêneo e complexo. A pesquisa realizada tem caráter exploratório com abordagem qualitativa, e como resultado, verificou-se que não há um consenso na literatura sobre um valor ideal de índice de vegetação nas cidades, devido às diferentes escalas de análise dos estudos. O valor de IAVT (Índice de Áreas Verdes Totais) calculado foi de 16,70 m2 de área verde/habitante, acima do valor ideal de área verde atribuído à Organização Mundial da Saúde (OMS) de 12 m2. Porém, apenas 30% das 32 subprefeituras do munícipio possuem realmente um índice superior ao recomendado, sendo que parte dessas áreas são florestadas. Portanto, o IAVT deve ser utilizado com cautela no desenvolvimento de políticas e ações que visam a redução da desigualdade ambiental visto que ele apresenta limitações, por não contemplar a arborização urbana, mas principalmente por não ponderar pela parcela da ocupação que pode ser mais, ou menos, urbana. O índice atribuído à OMS pode ser aplicado pois tornam as cidades comparáveis entre si, entretanto, não é adequado para políticas públicas locais por não representar precisamente a exposição da população às áreas verdes. Ainda, o IAVT pode ser adotado como parâmetro de tomada de decisão para a ampliação das áreas verdes na cidade, tais como a implantação de parques, buscando maior equidade ambiental.


A história do Parque Piqueri

Parque Piqueri

A história do Parque Piqueri e como as coisas se repetem. Esse trecho abaixo mostra como as lutas por parques são parecidas e antigas.

Em 1974, outra polêmica começou. O então prefeito Miguel Colassuono descongelou áreas verdes da cidade, inclusive a Chácara do Tatuapé, e começou-se uma especulação imobiliária. Reportagens da época falam sobre o projeto de construção de um conjunto comercial e residencial no local. Seria um edifício de 25 andares com 8 apartamentos por andar. Havia uma restrição pela qual a construção não deveria ocupar mais de 25% da área e não se poderia derrubar mais de 10% da vegetação. Moradores do local e políticos ligados ao bairro não aceitaram essa ideia e questionaram a prefeitura. Em 1975, o prefeito eleito Olavo Setúbal manteve a área congelada e, em 1976, o local foi desapropriado. O parque foi inaugurado em abril de 1978, com a bandeira de ser uma das poucas áreas verdes na Zona Leste de São Paulo e um local fundamental para o lazer de um bairro operário.

https://maisainfante.wordpress.com/portfolio/a-historia-do-parque-do-piqueri-2016/

Também, assim como aqui no Parque Vila Ema, a especulação a sua volta corre solta. Todos querem morar perto de um parque, mas poucos lutam pela preservação.

Especulação imobiliária em volta do Parque Piqueri

Parque no Google Street View

Já é possível visualizar o parque gradeado no Google Street View. Para os colegas que não estão mais por perto, dá para ter uma ideia do visual novo.
Acesse por esse link: https://maps.app.goo.gl/XdBbJWFYpdXFhFqPA

Também foi atualizado o verbete do parque na Wikipedia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Vila_Ema

Segundo apuramos, após uma extensa avaliação jurídica da lei que possibilita a transferência do terreno para a prefeitura em troca de potencial construtivo, o processo continua a caminhar.

Aguardamos a inauguração.

Parque é cobrado nas audiências do plano de metas

Mais um ano de audiências de metas e orçamento. Como nesses 10 anos de luta, o movimento marcou presença cobrando a inauguração do Parque Vila Ema.

Voce pode colaborar entre neste link, se cadastre e apoie a proposta para a criação do Parque Vila Ema. Deixe também um comentário e divulgue para seus conhecidos.

https://participemais.prefeitura.sp.gov.br/legislation/processes/116/proposals/206

Leia a edição completa em folhavp.com.br

Sobre a Flora e a Fauna

O Parque Vila Ema possui uma diversidade muito grande de árvores e pássaros, alguns ameaçados de extinção e nativos do bioma Mata Atlântica do qual faz parte. O Parque está listado no Plano Municipal da Mata Atlântica, de acordo com o Decreto Federal 6.660/2008, que regulamenta a Lei Federal da Mata Atlântica.

Leia mais sobre o PMMA no site da prefeitura.

Segundo levantamento de arbóreo de Waldir Ribeiro (2016)

São 126 espécies vasculares (angiospermas, gimnospermas e pteridófilas), sendo 70 nativas do munícipio (55,5%).

Em uma análise de 2018, de 914 exemplares levantados anteriormente, 834 estavam vivos (58% nativas).

Possui 3 espécies campestres que ocorriam nos campos do município segundo levantamento de Usteri (1911).

3 espécies ameaçadas de extinção em nível estadual e federal
-Palmito Juçara
-Cedro
-Araucária (pinheiro do paraná)

Cedro-rosa no Parque da Aclimação foto de Mauroguanandi 

Quanto a fauna, pelo menos 43 espécies sendo 39 aves.

Endêmicas da Mata Atlântica (só ocorrem aqui)
-Tucano de Bico Verde
-Periquito Rico

Neste link você pode conferir fotos e detalhes de algumas das aves já registradas no parque.

Tucano de Bico Verde

Fica aqui o registro, mostrando um pouco mais da importância de se preservar essa área e abri-la à população, principalmente nesta pandemia e num possível futuro onde frequentar áreas fechadas como shoppings talvez não seja mais recomendado. E neste caso, talvez seja uma boa coisa, já que existem estudos que mostram que frequentar shoppings aumentam os índices de depressão, enquanto os parques melhoram a saúde geral das pessoas.

A luta dos moradores para salvar as escassas áreas verdes de São Paulo