Mais benefícios das áreas verdes

Depois do post anterior, fui conferir a literatura citada no laudo do MP e extraí mais algumas informações interessantes a respeito das áreas verdes.

As teses podem ser conferidas na íntegra através dos links abaixo.

Planejamento ambiental na Cidade de São Carlos (SP) com ênfase nas áreas públicas e áreas verdes diagnóstico e propostas – Carlos Henke de Oliveira

Análise de padrões e processos no uso do solo, vegetação, crescimento e adensamento urbano – Estudo de caso Município de Luiz Antônio (SP) – Carlos Henke de Oliveira

Atualizando a lista de benefícios que as áreas verdes proporcionam:

-Atenuação de distúrbios hidrológicos.
-Beleza cênica e conservação de paisagens.
-Ciclagem de nutrientes.
-Conectividade da paisagem.
-Controle de erosão e retenção de sedimentos.
-Dispersão de sementes.
-Estabilidade geotécnica (prevenção de desastres naturais).
-Estoque /remoção de CO² da atmosfera.
-Exportação de biomassa para ecossistemas vizinhos.
-Fornecimento de alimentos para a fauna.
-Infiltração e escoamento pluvial prevenindo inundações.
-Manutenção da biodiversidade.
-Manutenção e proteção de recursos genéticos.
-Polinização e regeneração de áreas naturais.
-Proteção contra o vento (efeito de borda).
-Recarga de aquíferos.
-Regulação climática/ microclimática.
-Retenção de partículas atmosféricas.
-Suprimento hídrico.
-Conforto térmico, luminosidade e acústico.
-Evapotranspiração.
-Efeitos benéficos sobre a saúde mental e física da população.
-Valorização de áreas para convívio social.
-Valorização econômica das propriedades
-Formação de uma memória e do patrimônio .cultural.
-Espaços para recreação e diminuição do sedentarismo.
-Redução da erosão eólica.
-Corredores para a avifauna e a entomofauna.
-Geração de empregos diretos e indiretos.
-Diminuição do montante de recursos financeiros dispendidos nos tratamentos hospitalares decorrentes do adoecimento causado pela falta de áreas verdes.
-Recuperação significativamente mais rápida e necessidade menor de drogas para pacientes com vista para áreas verdes.
-Árvores alocadas estrategicamente ao redor de edificações reduzem em os custos energéticos de refrigeração.
-Desenvolvimento de atividades de educação ambiental.

Abaixo alguns trechos das teses:

A mortes por poluição do ar causadas pelo uso de veículos

As alterações climáticas e a presença de particulados no ar propicia o desenvolvimento de doenças como pneumonia e bronquite; De acordo com Muller (1974) apud CAVALHEIRO (1991), podemos estimar que a “causa mortis” devido a doenças respiratórias em cidades com mais de 100.000 habitantes excede em pelo menos 50% a área rural.

No entanto, o sistema viário e os automóveis são, direta e indiretamente, os maiores geradores e estocadores de poluentes da área urbana. Além do dióxido e monóxido de carbono, os veículos alimentam a atmosfera com partículas de materiais não queimados, óxidos de enxofre e nitrogênio. Os aditivos utilizados para aumentar a octanagem dos combustíveis e o rendimento dos automóveis podem conter materiais tóxicos como metais pesados, principalmente chumbo-tetraetílico (VERNIER, 1994). Estes e outros materiais particulados provenientes do desgaste dos freios, pneus, lataria e pintura dos veículos são acumulados no sistema de circulação. Os poluentes são carreados pelas chuvas até os fundos de vales, comprometendo ainda mais os recursos hídricos. TOURBIER (1994) considera que o escoamento superficial seja hoje a maior fonte de poluição aquática, limitando o uso de um terço dos recursos hídricos nos Estados Unidos.

Vegetação urbana: benefícios

Redução  da poluição do ar

Os parques urbanos podem reter até 85% do material particulado e as ruas arborizadas são responsáveis pela redução de 70% da poeira em suspensão. Muitos gases são também filtrados, uma vez que se aderem ao material particulado. De acordo com Bernatzky, (1982) apud SATTLER, (1992), uma barreira com 30 metros de vegetação entre uma área industrial e uma residencial, promoveu uma intercepção total do material particulado e uma redução significativa de poluentes gasosos.

Qualidade de vida

A manutenção do verde urbano é melhor justificada atualmente pelo seu potencial em realçar aspectos associados à qualidade ambiental e enquanto provedora de benefícios ao homem, ou seja, interferir positivamente na qualidade de vida pela manutenção das funções ambientais, sociais e estéticas que venham a mitigar ou amenizar a gama de propriedades negativas da urbanização. Diversos autores têm dado ênfase aos benefícios da vegetação urbana (MILANO, 1990; 1992; 1994; DETZEL, 1992; 1994; SATTLER, 1992; CAVALHEIRO, 1992; 1994; GOYA, 1994), abordando a sua importância para o controle climático, da poluição do ar e acústica, melhoria da qualidade estética, efeitos sobre a saúde mental e física da população, aumento do conforto ambiental, valorização de áreas para convívio social, valorização econômica das propriedades e formação de uma memória e do patrimônio cultural.

Diminuição do sedentarismo

O estilo de vida urbano e a estrutura cultural das cidades são elementos associados à tendência ao sedentarismo, aumentando a demanda por áreas verdes e espaços para recreação. SATTLER (1992) aborda os benefícios sociais das áreas verdes sob os aspectos de conforto térmico, lúmnico e acústico. A diminuição da temperatura, das amplitudes térmicas e a manutenção da umidade do ar são benefícios mantidos pela vegetação através de mecanismos de intercepção, reflexão, absorção e transmissão da radiação direta ou refletida e manutenção de elevadas taxas de evapotranspiração (DETZEL, 1992).

Atenuação da poluição sonora

A atenuação sonora pela vegetação é mais efetiva para sons de alta frequência (agudos). As plantas perenifolias tendem a refletir mais som, enquanto que as decíduas são mais eficientes na absorção, sugerindo-se que a mistura de várias espécies seja uma estratégia especialmente efetiva na redução de sons de frequência intermediária (FORMAN & GODRON, 1986).

A reflexão sucessiva (ecoamento) das ondas sonoras na folhagem e a sua consequente sobreposição alteram qualitativamente o formato da onda, resultando não somente na redução da energia acústica, mas principalmente na desconfiguração do som original da fonte geradora de ruído. A sobreposição de ondas sonoras de diversas frequências, similarmente à luz branca, produz o conhecido “ruído branco” (chiado percebido quando se encobre ouvido com uma concha, parecido com o som da cachoeira ou corredeira). O ruído branco também possui seus componentes ultra-sônicos (acima de 20 KiloHertz para a homem) que, por serem inaudíveis, retêm parte da energia sonora poluidora em uma forma de energia não perceptível.

Experimentos mostram que há necessidade de barreiras densas, em torno de 100 m de espessura, para uma atenuação na ordem de 8-20 dB (Szokolay, 1980 apud SATTLER, 1992) e, de acordo com KIELBASO (1994), as árvores podem reduzir até 50% do nível de ruídos. Admite-se no entanto que as árvores e a fauna associada determinam um efeito de encobrimento dos outros sons, além de que as inversões de temperatura abaixo da copa das árvores, determinam a refração de ondas sonoras e incrementam a interação destas com o solo. Mesmo barreiras de vegetação de pequeno porte (2 metros), as quais não operam
eficientemente como barreira acústica, têm um efeito psicológico benéfico, pelo isolamento visual da fonte geradora de ruído, além de proporcionarem a sensação de privacidade. (DETZEL, 1992).

Conservação do solo

A conservação do solo pela arborização ocorre basicamente pela proteção física e estabilizadora das raízes, interceptação de gotas de chuva pela folhagem que impede a desestruturação física do horizonte superficial, enquanto que a presença de matéria orgânica originária da cadeia de detritos promove condições estruturais adequadas do solo, amenizando os problemas de erosão. Um outro processo associado, é a redução da erosão eólica em decorrência cobertura vegetal que pode atuar como quebra-ventos. Desta forma, segundo DETZEL (1992), tais serviços se ampliam de forma a possibilitar a redução de custos para tratamento de águas, prevenção de deslizamentos e outros danos sociais.

Entomofauna (fauna de insetos)

Faeth & Kanne (1978) apud CAVALHEIRO (1991) consideram que os parques urbanos operam como ilhas para muitos grupos de insetos, se adequando à Teoria de Biogeografia de Ilhas (MacARTHUR & WILSON, 1967) e enfatizam a importância da vegetação viária no contexto de corredores para a entomofauna. Neste sentido, a arborização deveria ser a mais diversificada possível de forma a reduzir efetivamente o problema da insularidade dos parques.

Aspectos econômicos, geração de empregos e valorização das propriedades

Outros benefícios da arborização urbana estão em associação aos aspectos econômicos, como a geração de empregos diretos e indiretos (DETZEL, 1992) e a valoração das propriedades (MILANO, 1992). Imóveis próximos às áreas verdes têm um valor agregado 5-15% superior que em áreas desprovidas de arborização (KIELBASO, 1994).

Diminuição de custos hospitalares

Os benefícios econômicos da arborização urbana podem ser quantificados através do montante de recursos financeiros dispendidos nos tratamentos hospitalares. Ulrich (1990) apud KIELBASO (1994) mostrou que pacientes hospitalizados em quartos com vista voltada para a vegetação externa têm recuperação significativamente mais rápida e necessitam de menor quantidade de drogas que os pacientes sem visão externa.

Os aspectos econômicos podem ser avaliados, direta ou indiretamente, pela análise do “lucro” propiciado pelas funções ecológicas, sociais e estéticas da arborização ou pelo “prejuízo” decorrente da perda destas funções. Em Tucson (EUA), analisando-se a arborização urbana, foi verificado que os benefícios foram 2,6 vezes superiores aos custos (McPherson, 1992; 1993 apud KIELBASO, 1994). Para Santa Maria, Arizona, o benefício econômico na mitigação da poluição do ar foi suficiente para cobrir 60% dos gastos no manejo das árvores (HUDSON, 1994).

Diminuição no uso de energia elétrica

Uma árvore pode transpirar até 400 litros de água diariamente, equivalendo a 5 condicionadores de ar com capacidade de 2.500 Kcal cada um, funcionando durante 20 horas por dia (Kramer, Koslowski, 1970) apud DETZEL (1992). Assim, árvores alocadas estrategicamente ao redor de edificações reduzem em 50% os custos energéticos de refrigeração, sendo que o investimento em plantio é recuperado num prazo de 1-3 anos. Adaptação destas e outras informações realizadas por KIELBASO (1994) mostram que a economia de energia para as cidades norte-americanas atinge valores em torno de 8,7% devido aos benefícios
do verde urbano. As funções da vegetação urbana e suas implicações ecológicas e sociais são resumidas no Quadro 1. Não foram consideradas as implicações estéticas devido à inexistência de abordagens e complexidade inerentes à esta categoria de funções.

Os benefícios diretos do sombreamento de 11 milhões de árvores plantadas em Los Angeles (EUA) deverão resultar numa redução anual de 50 US$ milhões
nas tarifas de energia. Estes benefícios eqüivalem a uma economia de 4,55 US$ por árvore (Rosenfeld, 1996 apud USDA, 2001). Considerando-se adicionalmente outros serviços diretos e assumindo-se 20 anos de serviços contínuos, o valor presente para cada árvore é de US$ 211.

Para Sacramento (EUA) estimou-se uma economia de aproximadamente 12% na energia despendida em condicionamento de ar em função do sombreamento e da refrigeração promovidos pelas árvores; a relação benefício/custo calculada é de 2,2 (Simpson & McPherson, 1995, 1996 apud USDA, 2001). Para Los Angeles, incluindo-se vários serviços, a relação benefício/custo chega a atingir 6,0 (Rosenfeld 1996 apud USDA, 2001).

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Importância das Áreas Verdes no Ambiente Urbano

Segue um trecho interessante da fundamentação do laudo técnico elaborado a pedido do Ministério Público no Inquérito que versa sobre o Parque Vila Ema.

O mesmo pode ser consultado através deste link (são fotos do inquérito, mas são legíveis na medida do possível):

Parque Vila Ema – laudo técnico do inquérito civil

Sattler (1992 apud Henke-Oliveira, 1996) aborda os benefícios sociais das áreas verdes sob os aspectos de conforto térmico, luminosidade e acústico. A diminuição da temperatura, das amplitudes térmicas e a manutenção da umidade do ar são benefícios mantidos pela vegetação através de mecanismos de interceptação, reflexão e absorção e transmissão da radiação direta ou refletida e manutenção de elevadas taxas de evapotranspiração (Detzel, 1992 apud Henke-Oliveira, 1996).

Os parques e manchas verdes em áreas urbanas podem reter até 85% do material particulado e as ruas arborizadas são responsáveis pela redução de 70% da poeira em suspensão. Muitos gases são também filtrados, uma vez que se aderem ao material particulado. De acordo com Bernatzky (1982 apud Guzzo, 1999), uma barreira de vegetação promove uma importante interceptação do material particulado e uma redução significativa de poluentes gasosos. Dentre os serviços ecossistêmicos prestados pela área de fragmento em questão, destacam-se:

-Atenuação de distúrbios hidrológicos.
-Beleza cênica e conservação de paisagens.
-Ciclagem de nutrientes.
-Conectividade da paisagem.
-Controle de erosão e retenção de sedimentos.
-Dispersão de sementes.
-Estabilidade geotécnica (prevenção de desastres naturais).
-Estoque /remoção de CO² da atmosfera.
-Exportação de biomassa para ecossistemas vizinhos.
-Fornecimento de alimentos para a fauna.
-Infiltração e escoamento pluvial.
-Manutenção da biodiversidade.
-Manutenção e proteção de recursos genéticos.
-Polinização e regeneração de áreas naturais.
-Proteção contra o vento (efeito de borda).
-Recarga de aquíferos.
-Regulação climática/ microclimática.
-Retenção de partículas atmosféricas.
-Suprimento hídrico.

Convite para o Abraço ao Parque – 21 de julho de 2018 – 10:00

Convite para o Abraço ao Parque

Abraço

Dia 21 de julho de 2018 – 10:00
Av. Vila Ema, 1523

https://www.facebook.com/events/189015481790151/?ti=as

A Luta do Parque Vila Ema

Há 8 anos a população luta para que uma área de mata atlântica no meio da cidade de São Paulo seja preservada. O chamamos de Parque Vila Ema. Uma chácara preservada que resistiu a urbanização e desde 2010 vem sendo ameaçada pela construtora Tecnisa, que insiste em construir torres de apartamentos no local.

A área hoje é de Utilidade Pública conforme decreto municipal, além de ser ZEPAM (Zona Especial de Proteção Ambiental), está também incluída no Plano Municipal de Mata Atlântica.

Dois projetos de lei foram criados para a criação do parque, além do Ministério Público manter uma inquérito civil contra o desmatamento da área.

Mas nada disso impede que o projeto da Tecnisa, indeferido por 3 vezes anteriormente e novamente protocolado antes do Plano Diretor, aproveitando-se da brecha da lei do protocolo e novamente indeferido por 2 vezes, continue ativo na prefeitura.

O Movimento do Parque Vila Ema quer que esse projeto seja indeferido permanentemente, já que temos todos os motivos para preservar a área.

-Laudo ambiental do MP que cita as leis da Mata Atlântica que protegem a área.
-Laudo do IGC que atesta nascentes e veio de água embaixo do terreno.
-Decreto Estadual de n° 30.443, de 20/09/1989.
-ZEPAM – Zona Especial de Proteção Ambiental
-PMMA – Plano Municipal da Mata Atlântica
-Mais de 30 tipos de pássaros catalogados na área, inclusive tucanos, papagaios, falcões etc.

-Pelo menos 447 árvores, muitas da mata atlântica e algumas em extinção.

Site do movimento: https://vivaoparque.wordpress.com

Referências:

Laudo Técnico Ministério Público
https://vivaoparque.wordpress.com/2014/07/20/arquivos-laudo-tecnico-sobre-a-area/

Laudo IGC
https://vivaoparque.wordpress.com/2018/07/09/laudo-do-igc-atesta-rio-no-terreno/

Decreto Estadual
https://vivaoparque.wordpress.com/2016/09/22/explicando-o-decreto-estadual-que-protege-o-parque-vila-ema/

PÁSSAROS
https://vivaoparque.wordpress.com/2010/09/06/conheca-os-passaros-da-vila-ema/

PMMA
https://vivaoparque.wordpress.com/2016/08/22/video-parque-vila-ema-no-pmma/

Laudo do IGC atesta rio no terreno

Laudo do IGC (pdf)

No link acima está o Laudo do IGC – Instituto Geográfico e Cartográfico que atesta as entradas e saídas do rio canalizado no terreno do Parque Vila Ema. Inclusive a SVMA já confirmou que a área é passível de APP por esse mesmo motivo.

E já que falamos de laudos, ainda temos o laudo do técnico do Ministério Público que dá todos os motivos para a conservação da área.

 

Fotos do Parque Vila Ema

A natureza exuberante continua lá, apesar de 8 anos de terreno abandonado. O lixo se acumula. Muitas árvores morrendo, caídas.

Muitas borboletas, flores, espécies mil de plantas rasteiras. Pássaros como bem-te-vi, alma de gato, pixarro entre outros puderam ser vistos.

Quando a população poderá cuidar e desfrutar desse parque? Quer participar?

Reunião hoje, terça-feira 03/07 às 20 horas no Galpão Cultural, Rua Planalto da Conquista, 161.

A luta dos moradores para salvar as escassas áreas verdes de São Paulo